Buscar
  • Goianas na Urna

5 formas de seguir apoiando ações para que mais mulheres alcancem poder político

Atualizado: 5 de abr.

Por Juliana Leal


|

Depois do 8 de Março, que espaço resta para a visibilidade das mulheres nos espaços de poder político?

Março é o mês no qual costumamos ver os holofotes da mídia e das redes sociais voltados para a valorização das mulheres em distintos ambientes: no mercado de trabalho, nos esportes, nas artes, e, é claro, na política não seria diferente.


Porém, todos os anos, virando a página do calendário de 31 de março para 01 de abril, essa pauta parece deixar de ser prioritária e, pouco a pouco, vai desaparecendo. Até que chega outubro, o mês das eleições, e se repetem novamente as cenas que estamos tão acostumadas a ver: pouquíssimas mulheres eleitas e a eterna repetição dos mesmos rostos masculinos, heterossexuais, cis, brancos e, em sua maioria, figuras marcadas da cena política goiana.


O que acontece com toda aquela valorização que as mulheres pareciam receber de seus partidos e eleitores no mês da mulher? Para onde vai tanto apoio e suporte às candidaturas femininas quando realmente chega a hora decisiva?


Os dados que comprovam a exclusão das mulheres na política goiana sintetizam um verdadeiro apagamento da figura feminina dos espaços de poder durante o período eleitoral. Em Goiás, apenas 4% da Assembleia Legislativa é composta por mulheres. Na Câmara Municipal de Goiânia, a porcentagem é de apenas 14%. Nas prefeituras do Estado somente figuram 33 mulheres em contraste com 246 homens[1]. Quando olhamos para os dados nacionais, o Brasil também figura bastante mal no que diz respeito à ocupação das mulheres no parlamento. Dados da União Interparlamentar mostram que o Brasil ocupa o 142º lugar no ranking de paridade de gênero nos parlamentos nacionais[2]. Em um estudo realizado pela ONU Mulheres e o PNUD sobre os direitos políticos das mulheres na América Latina, o Brasil está entre os países com os piores indicadores da região, ocupando o 9º lugar entre 11 países[3].


Para transformar a política goiana em um lugar mais representativo e democrático é preciso converter o atual esquecimento das mulheres da cena política em ações ativas que promovam a visibilidade daquelas que deveriam ter protagonismo neste meio. Aqui você confere 5 formas de seguir apoiando ações para que mais mulheres alcancem o poder político em Goiás para além do mês de março:


1. Escolha candidatas mulheres para votar nas próximas eleições. Mas, atenção, não basta ser mulher, tem que ser verdadeiramente comprometida com as pautas democráticas e também com o aumento da representatividade feminina na política. Ao pesquisar suas candidatas, dê prioridade para mulheres que trazem como uma de suas bandeiras de campanha a promoção da equidade de gênero.


2. Ajude a qualificar o debate em sua família/comunidade e rede de contatos sobre a importância de votar em mulheres. E isso não precisa ser feito apenas em época de eleições. Cada vez mais se torna necessário que nós, mulheres, estejamos munidas de dados e argumentos sólidos para fortalecer o debate sobre representatividade feminina na política e ajudar a combater fake news. Não basta usar exemplos isolados de como a deputada x ou y ajudou a aprovar projetos de leis importantes. O que ajuda a fortalecer o debate é estar ciente de dados estatísticos, pesquisas, estudos e notícias que te permitam provar que seus argumentos em prol do aumento da representatividade feminina na política são bem fundamentados. Aqui você pode acessar alguns materiais para começar a estudar sobre o tema, mas lembre-se que aprofundar seu conhecimento nesse assunto é extremamente necessário:


3. Fiscalize se seu partido está implementando corretamente a cota de gênero. Os partidos políticos são importantes aliados para aumentar a representatividade feminina na política. Atualmente, existem mecanismos, como a cota de gênero, que visam garantir o mínimo de participação política para as mulheres, porém nem sempre são cumpridos. Uma matéria da Gênero e Número[4] apontou que nas eleições de 2020, 30 dentre os 33 partidos não atingiram a cota de candidatas em todos os municípios onde disputaram as eleições. Você pode fiscalizar e cobrar o partido no qual está filiada, ou pelo qual você guarda afinidade, para que cumpra devidamente a cota de gênero.


4. Encoraje mulheres a participar da política. Todas nós conhecemos alguma amiga, prima, colega ou parceira que poderia ganhar uma eleição. Há mulheres que se destacam entre nós como figuras de liderança, mas nem sempre elas acreditam que podem ser candidatas, ou têm medo do ambiente político. Apoiar mulheres nos espaços de poder passa por dizer para aquela amiga, prima ou parceira que ela, sim, pode se permitir sonhar com uma jornada política. Jamais desestimule uma mulher que quer ser candidata. Pelo contrário, seja um ponto de apoio e demonstre credibilidade no projeto político que ela pode apresentar.


5. Conheça e difunda projetos que promovam o compromisso com a democracia paritária. Além do Goianas na Urna, existem diversos projetos que estão apoiando o empoderamento de mulheres na política. Abaixo, listamos algumas organizações para que você conheça, siga suas redes sociais, apoie e difunda:


Goianas na Urna

Elas no Poder

Instituto Update

Instituto Vamos Juntas

Impulsa Voto

ATENEA

Brasilianas


É fundamental apoiar iniciativas realizadas por mulheres e para mulheres. Pode ser que o maior apoio que você consiga dar neste momento é por meio do compartilhamento deste artigo, ou dos materiais citados nele, em suas redes sociais, pode ser que você decida ser voluntária na campanha de uma mulher que admira em 2022.... Em suma, há diversas ações simples que você pode começar a tomar a partir de hoje para encorajar mais mulheres a participar da política. Te convido a começar por seguir as redes sociais do Goianas na Urna e compartilhar o conteúdo em seus stories. Assim, você já estará atuando para que seja possível avançar rumo a uma democracia paritária. Vamos nessa?


Texto de Juliana Leal.


Quem é a autora? Juliana é vice-presidente do Goianas na Urna, tem 27 anos, é mestre e doutoranda em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), e mestre em Direitos Humanos Aplicados pela University of York (UoY). Atualmente, atua como coordenadora de direitos humanos em uma fundação que promove cooperação internacional para a promoção de justiça restaurativa no sistema penitenciário latino-americano.

[1] Fonte: https://portal.al.go.leg.br/noticias/113573/em-goias-nas-eleicoes-de-domingo-as-mulheres-conquistaram-a-prefeitura-em-33-cidades-ou-14-2-dos-246-municipios [2] Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/brasil-e-142-na-lista-internacional-que-aponta-participacao-de-mulheres-na-politica/ [3] Fonte: https://www.onumulheres.org.br/noticias/estudo-conduzido-pelo-pnud-e-pela-onu-mulheres-sobre-direitos-politicos-das-mulheres-coloca-o-brasil-em-9o-lugar-entre-11-paises-da-america-latina/ [4] Fonte: https://www.generonumero.media/trinta-partidos-nao-atingiram-cota/

70 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo