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  • Goianas na Urna

Mulheres, política e o enfrentamento à COVID-19

Atualizado: Out 27


Por Fernanda Oliveira


Hoje, nossas atenções estão voltadas para o maior desafio global da história recente: a crise gerada pela Covid-19 expõe as maiores fragilidades humanas, nos faz enfrentar a perda e o ciclo da vida. Essa crise impacta não apenas nossa saúde, mas nossas relações sociais e a economia. Não é possível manter-se alheio a isso (ainda que o Governo Federal brasileiro tente!). Em meio às notícias que assustam e alertam, a governança de mulheres líderes globais também chama atenção. O artigo da Forbes que destacou a brilhante atuação dessas mulheres viralizou[1] (o link para esse artigo está no final da página, mas antes de ir lá conferir, termina de ler este aqui, tá?). Muitos questionam: por que países liderados por mulheres têm esse destaque positivo? O que essas líderes mulheres têm feito de diferente?

Nossa construção social e histórica nos permite identificar traços comuns na criação das mulheres, ainda que diferenças culturais existam e sejam politicamente importantes para as lutas feministas. Não é apenas uma questão de criação para o cuidado, tampouco uma característica biológica. O que diferencia como formamos e fortalecemos as nossas relações está no diálogo com as emoções, na identificação e priorização de realidades plurais, garantindo respeito à diversidade e endereçamento dos problemas enfrentados, principalmente, pelas populações mais vulneráveis, além da eliminação total dos riscos.

Enquanto líderes homens priorizam a manutenção ou restabelecimento imediato da economia, líderes mulheres priorizam medidas mais radicais que, em um primeiro momento, podem ser mais danosas à economia, desde que isso signifique salvar mais vidas e achatar ou eliminar a curva de crescimento da Covid-19 (note que estudos indicam que, a longo prazo, medidas como isolamento total da população são benéficas para a economia, além da saúde)[2]. Assim agiu, por exemplo, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, ao determinar logo nas primeiras semanas de contato dos neozelandeses com a doença o fechamento das fronteiras do país e o isolamento social quase completo.

Ao lado dessas características que distinguem a liderança feminina, está o empenho na comunicação. A proximidade que mulheres líderes de governo buscam ter com as populações que elas lideram é um diferencial não apenas agora no enfrentamento à Covid-19, mas também na consolidação da legitimidade desses governos perante sua nação e, consequentemente, da força dessas democracias. Quem diria que, em meio ao caos, a maior liderança de um país faria uma coletiva de imprensa com crianças para explicar de forma didática o que está acontecendo no mundo no momento, como fez a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg?

Além do destaque na política, é muito importante ressaltar o empenho das mulheres na linha de frente do enfrentamento à Covid-19: mulheres lideram as respostas diretas à doença, ocupando quase 70% dos postos mundiais de trabalho na saúde, segundo dados do relatório Women at the core of the fight against COVID-19 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Ao mesmo tempo, também são as que suportam a carga emocional em casa, prestando assistência para toda a família, além de serem as que lideram a educação dos filhos em casa, agora que as escolas estão com suas atividades suspensas.[3]

Ao pensar os impactos da liderança de mulheres num contexto de política formal e na sociedade, a ideia não é gerar contrariedade nem aversão, mas chamar atenção para a importância de se ter mais mulheres ocupando cargos políticos eletivos, de gestão pública e de empresas, à frente de projetos sociais, políticos e econômicos. A ausência de líderes mulheres na política brasileira resulta na desconsideração de pautas urgentes que diversificam a atenção das consequências imediatas na economia para a priorização de grupos politicamente minoritários, por exemplo.

O respeito à diversidade e a promoção de uma sociedade mais justa só serão possíveis a partir de uma representação igualitária e efetiva em cargos e posições que gerem mudanças estruturais e difusas. A luta comum hoje é o combate ao “Coronavírus”, mas não podemos deixar de identificar e respaldar as distintas lutas que persistem dentro do mesmo contexto, as várias formas pelas quais os grupos mais vulneráveis são impactados. A liderança feminina desvela e exalta as lutas diárias, estabelecendo coerência entre a atuação pública e a defesa do indivíduo.

#políticaspublicas #covid19 #democracia #WixBlog #mulheres

Para aprofundar a leitura:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/04/20/Os-pa%C3%ADses-comandados-por-mulheres-que-se-destacam-na-crise

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52258490?utm_source=Mailing+Completo+%23Elas&utm_campaign=aaf59b4ae3-EMAIL_CAMPAIGN_2020_05_11_05_06&utm_medium=email&utm_term=0_1983bcc9e6-aaf59b4ae3-368266161

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/04/forma-de-educar-mulheres-influencia-as-lideres-no-combate-a-pandemia.shtml

http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2020/03/ONU-MULHERES-COVID19_LAC.pdf

[1] Fonte Forbes Brasil: https://forbes.com.br/colunas/2020/04/mulheres-na-lideranca-sao-o-diferencial-dos-paises-com-as-melhores-respostas-ao-coronavirus [2] Fonte:https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/29/na-guerra-contra-covid-19-isolamento-tambem-ajuda-economia-dizem-estudos.htm [3] Fonte Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE: https://read.oecd-ilibrary.org/view/?ref=127_127000-awfnqj80me&title=Women-at-the-core-of-the-fight-against-COVID-19-crisis


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